Ok, parece que a vida venceu, o tempo passou e termina 2008. Não creio que tenha sido um ano muito bom para mim (se é que devo insistir em considerar o ano, essa medida de tempo tão idiota quanto o relógio). Primeiro pensei em fazer uma pequena retrospectiva, falando de bons e maus momentos, mas parece besteira, não deve interessar a ninguém – e nem a mim mesmo! Passagem de ano é parecido com data de aniversário, um momento irrelevante, uma festa tolinha, jeka e inútil. Não posso me furtar a voltar ao assunto: minha mãe fez aniversário no dia 10 e morreu no dia 17… sete dias após. E qual a diferença em falar que ela morreu com a idade (que vivenciou sete dias) ou com a anterior? nenhuma. Se eu morresse em 2008 ou em 2009, igualmente será irrelevante.
Meus três leitores sabem muito bem a implicância que eu tenho com o tempo, com as marcações do tempo e tudo o mais. Acho tudo isso uma babaquice ímpar. Nunca fiquei bebendo qualquer coisa à zero hora. Nunca dei pulinhos nas ondas nem acendi velas nem joguei flores no mar. O custo dessas flores, por exemplo, paga um prato de comida para um pobre esfomeado… Fé é um nome esnobe para crendices populares. Por que deve-se adorar mais a deus do que a um duende? Alguém já viu qualquer um dos dois? Bom, se viu não se trata de milagre e sim um claro sinal que a dose de Haldol ainda está muito baixa.
Mas não quero agredir ninguém, respeito a crendice das pessoas. Se elas necessitam, ótimo, façam bom proveito. Igualmente para quem estuda o alinhamentos dos astros, os búzios, etc. etc. A única diferença clara que percebo é que terei de grafar 2009 ao invés de 2008 no preenchimento de cheques. Só isso já é uma chatice, porque estamos acostumados com um número de ano e trocá-lo sempre faz confusão e, invariavelmente, erramos. E perdemos dinheiro já que cada folha de cheque é paga.
Por outro lado, acontece o nascimento de várias crianças e a morte de outras tantas (crianças, jovens e idosos). Mais ou menos como se a vida fosse um elevador num prédio de 40 andares. À cada parada saltam uns e entram outros. Simples assim. E quando esse elevador chega ao último andar “muda o ano” para continuar tudo mais ou menos igual. Muito mais interessante seria comer um acarajé preparado por ela. Ou uma moqueca, quem sabe…. Ou oferecer uma pinga a um mendigo que precise porque dessa vida não se leva nada (muito menos o fígado). E, se leva, eu serei exceção e não levarei nada.
Contam-se os dias das férias e quando acabam retorna-se a um trabalho chato, inútil… E fazemos isso em troca de um dinheiro ‘meia boca’ que nos garante uns pacotinhos de miojo, uma eventual cerveja e tranquilizantes que nos mantém “normais”. Ser normal, independente da data e do tempo é estar sempre dizendo sim ou um não ameno, estar entrando e saindo de lugares, batendo cartão de ponto, sempre vestido razoavelmente e de banho tomado. É isso que o mundo exige de nós. Mais nada. O mundo, a vida e o tal do tempo não sabem nada de nós, de verdade, como, igualmente, não sabemos nada de ninguém. É um espetáculo, um show (brega, verdade)… somos os palhaços de um cirquinho mambembe, de lona furada e sem redes de proteção.
Disseram