
Nessses períodos de feriados (mesmo nessa bobagem de sexta feira santa) as pessoas querem mesmo é meter o pé na estrada ou ir à praia ou ainda não fazer rigorosamente nada – uma cervejinha, talvez. A própria internet perde um pouco da efervescência, um pano abafa o furor de uns e outros servindo-nos todos de outras coisas – aparentemente mais urgentes ou exatamente o contrário: impossíveis de não serem feitas porque são propícias aos bons modos de um feriadão. Hoje é quinta feira e na segunda os jornais publicarão intermináveis números e listas de mortos e acidentados nas estradas e por aí.
Eu, monolito de plantão, não vejo nenhuma alteração em nada e, para ficar num patamar de “quem fez alguma coisa diferente” mando pintar algumas paredes da minha choupana. Uma parede de azul e outra de vermelho. Algo assim como uma cerveja Antártica no Corpo de Bombeiros (podem surgir outros exemplos). Pronto minha folia está completa. Está? Mentira, não está coisa nenhuma porque tenho uma certa impressão indiferente à todas as coisas (ou quase todas) e fico inquieto como ….uma cuíca.
Pronto! Encontrada a solução, ou o final do enredo (ou ainda, o início). Estava aplicadamente relendo “Todas as cosmicômicas”, desse inquieto Ítalo Calvino e percebo que alguma coisa ‘está fora da ordem mundial’. Estava interessadíssimo no conto “O Tio Aquático” quando, sem saber muito bem o porquê, meus olhos vagam pela minguada estante e pousam sobre o volume de “No Princípio, era a Roda” do inesquecível amigo Roberto Mour, aplicado intelectual, estudioso atento de várias formas de cultura embora o samba tenha sido uma paixão alucinante. Roberto troca seu mestrado na ECO, de Mozart pelo flautista, sambista, cantor, compositor e tudo de bom… Camunguelo. Não conhecem? Pois é. A vida, meninos e meninas, não é feita de “clássicos” e “os da moda” somente. Não senhor. A vida é também e, antes, mais importante, se viajada pelo universo encantado que Roberto nos proporciona nesse livro delicioso contando histórias mais apetitosas ainda! Eruditos, uni-vos em torno das rodas de samba, da Praça Onze, da Saúde, desse nosso Rio de Janeiro encantado, desencantado, com todas as estrepolias que se permite a um canto do mundo. Roberto Moura nos deixou há pouquíssimo tempo, vítima de uma “picada de carrapato” (PODE?).
Nessa véspera de Sexta Feira Santa, eu, ateu graças a deus, me enfeito com as contas de Iemanjá e mando um Axé pra todo mundo e hoje, em especial para o Incrível Mr. Almost. Axé!

Disseram