O rosa do amanhecer me lembra a boneca de pano da minha avó, a boneca de pano que somos todos, fantoches de ilusões ilusórias. Entendo melhor avatares do que pessoas, bonecas do que avós, soldados de chumbo do que empreendimentos. Não fui empreendedor nesse sentido comezinho da palavra. Deixei cantar o rouxinol, dei ouvidos às corujas, me destemi diante de crânios já descarnados e javalis prontos para o abate. Não me adaptei à solidão do campo, não vi sinceridade em todas as lágrimas e, talvez por isso, não tenho lágrimas em meus olhos mesmo nas adversidades. Os motivos para as lágrimas são os mesmos dos suicídios e o querosene é inflamável e veloz porque assim convencionei.
Hoje percebo que, se ofereci pouco no passado, ofereço muito menos hoje, hoje sou efêmera folha de papel virtual, sou uma possibilidade que está no espaço (de zeros e uns) e só é percebida por nós. (Uma árvore enorme que cai numa floresta totalmente deserta faz algum barulho?) O que não percebo não é. E se o outro não me percebe é simplesmente porque não sou e não poderia ser de outra maneira ===> outra maneira seria minha negação, seria minha eterna diáspora que não reencontra porto seguro, não vê continente nem luz (nem a das estrelas) e se vou em frente, da mesma maneira não é por valentia ou espírito desbravador e sim pela dúvida entre o profano e o sagrado

Uauuu! Você está em forma!
Temi que você pudesse estar doente, cheguei a perguntar por você… Fico feliz pelo seu regresso. Você possui uma visão sarcástica um despeito essencial à compreeensão do que, todos e cada um de nós, somos.
Quanto à árvore: uma floresta sem árvores já não é uma floresta. O barulho da queda da árvore é igual ao barulho d’”O último dos Moicanos” que tombou sob as balas dos homens brancos. Só há uma diferença: lá cheirava a pólvora, aqui cheira a combustível de moto-serra.
Abraços! Escreve! Escreve mais!
obrigado pelo que li vc nao precisa de palavras lisonjeiras portanto , silencio