Se não houver amanhã. Todos os dias, à cada segundo, essa frase está presente na cabeça de todos os homens e mulheres, crianças e velhos. Presente, mas inconsciente porque antes é preciso saber se acreditamos em destino ou não. Dizer que o destino traz sempre o fim não é um raciocínio lógico, é óbvio. Mas os que acreditam no destino a pergunta muda, deixa de ser pergunta, mas uma impressão suave de que não se pode saber, que o destino está traçado. Uma bala traçante pode ser interpretada como um “destino”. Ou um automóvel na contra mão. Imaginar o destino é imaginar a imobilidade da vida, a falta de razão para existir. Afinal, um espermatozóide não alcançou seu objetivo por destino: ELE CORREU MAIS. Assim, a vida seria uma corrida em busca de emoções (baratas). Todas as emoções são baratas porque todas elas estão catalogadas e diferenciam pouco de pessoa para pessoa. De uma forma geral, os desejos são os mesmos. Nesse aspecto, desconsiderando o destino, tornando-o uma crendice popular, é possível que a frase “Se houver um amanhã” afaste-se um pouco do inconsciente (zona morta e metafísica). Porque o conceito de destino rivaliza com a possibilidade de tempo. Se há destino, não existe tempo. É uma vida acompanhada de uma bula. Um trem agarrado em seus trilhos. Sem possibilidade de encruzilhadas. Ao contrário. A vida é uma sucessão de encruzilhadas, de setas, de caminhos claros ou obscuros, de aventuras que se emendam umas nas outras como no livro de Calvino “Se um Viajante numa Noite de Inverno”. A busca dos cadernos que, por fim, se tornarão um livro é constante….um frenesi. Frenesi de segundos, horas, meses, anos. Jamais o conceito de Matrix e sim da velha gincana de antigamente. É a possibilidade concreta de sair do carrossel e buscar a montanha russa. Não adiantaria fazer nada nem buscar qualquer coisa se os dados fossem marcados.
Ela…

Trocas
"A descoberta do Prozac criou um universo de eunucos felizes"
"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, Alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico" Albert Camus
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""Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."
Nelson Rodrigues
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