Não pretendo fazer resenha de livros por vários motivos – o principal deles: não ter competência para tal. Mas sinto-me obrigado ainda a falar rapidamente da “Crônica da Casa Assassinada” de Lúcio Cardoso, que releio, como disse, com alguma freqüência. E por quê? Porque esse caudaloso romance se passa numa fazenda em Minas Gerais, um lugar mágico onde parecem reunir-se todas as tragédias humanas. O tom de todo o livro é claustrofóbico, personagens doentes, arrogantes, loucos – e desses loucos que contaminam tudo. A fazenda e as pessoas em questão me remetem a “O Castelo” de Kafka, a ‘Fim de Jogo’ de Beckett ou a ‘Crime a Castigo’ de Dostoiévski com pitadas do mais sórdido de Nélson Rodrigues. Pode parecer um certo exagero, mas quem conhece o romance sabe do que eu falo.
A verdade é que, em geral, conhecemos pouco nossa literatura, conhecemos pouco a genialidade de autores que passam ao largo de Guimarães Rosa, Jorge Amado, Veríssimo e esses outros igualmente famosos (e igualmente geniais). Lúcio Cardoso se insere nessa galeria de autores que souberam criar um universo doentiamente mágico, ainda que decadente, da sociedade. A abrangência com que pontua, a profundidade emocional de seus personagens não fica a dever nada a ninguém. Seus livros não estão entre os mais vendidos, não se fala dele nem nas faculdades de Letras e os blogs que se referem eventualmente a livros igualmente o descartam. Mas não é por falta de genialidade em seu trabalho, por falta de persistência em buscar o que há de mais fundo (e secreto) nos homens. É falta de conhecimento.
Temos uma cultura errada, chinfrim, que “ensina” a cultuar autores de hoje ou clássicos (muitas e muitas vezes bolorentos!). É preciso revisitar a galeria de autores nacionais, deixar um pouco de lado o modismo de Clarice Lispector e afins e ir fundo no que existe de importante, de sério (não que os outros não sejam) em nossa literatura. É preciso menos odes a Machado de Assis e uma releitura maior de Lima Barreto, por exemplo. É preciso, por fim, olharmos para dentro, para o Brasil, para o nosso umbigo e percebermos o que há de importante, de impactante, não só na literatura, mas na cultura nacional.

Geraldo?
Você que cuida das efemérides…
Morreu o outro Geraldo, o Geraldo Casé, pai da Regina Casé…
Putz! Conheci esse cara num restaurante que ele tinha lá para os lados de Petrópolis (Itaipava?)… A gente, brincando, chamava ele de “jacaré”, de tão feio que era…
Menino! Tá toda a gente morrendo, será que vai chegar a nossa vez?…
Felicidades para os seus projectos, que estou tentando acompanhar.
Abraço e sai do armário, deixa de ser esqueleto!