Buscar novos caminhos é, ou deveria ser, uma prerrogativa do homem. Porque existe sempre a possibilidade (bem mais fácil) de ficar parado, observado nasceres do sol. Na verdade, o homem que se coloca passivamente diante da vida é cômodo para a sociedade. Não fazer e, muito menos, dizer é tudo o que os outros esperam dos seus pares. Mas não é de graça: a beligerância existente em cada um, atávica, faz a roda da humanidade girar. Tal como a corrida espermatozóides, a corrida durante a vida é igualmente dura, incessante e abster-se dessa competição é morrer a pior das mortes. A competição está enraizada em todas as nossas atitudes, pensamentos, ações. A competição não é apenas com o outro, é igualmente conosco. Se um dia faço um determinado produto, no dia seguinte desejo fazer melhor. Se ganho algum dinheiro, desejo ganhar mais. Se descubro o amor, quero ser para sempre um “amador” e por aí vai.
É, portanto, um engano acreditar que a morosidade, a reclusão e a falta de iniciativa podem trazer algum bem. Trata-se de um engodo da famigerada religião católica-cristã que desde tempos imemoriais represa o homem em tudo o que ele tem de bom, em tudo o que ele é capaz de fazer e revolucionar. Não existem apenas grandes revoluções, mas uma eterna e incansável revolução diária em todos nós, dessas revoluções que nos fazem andar para frente, para trás, para os lados, mas caminhar sempre em busca do que, por fim, chamamos prazer (pedra filosofal?). Negar essa possibilidade é cometer suicídio errante, desses que a gente comete, mas não morre.

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