Sétimo Selo

Algumas dúvidas me assolam imediatamente após a última linha do último livro de Roth. São as mesmas dúvidas de sempre, embaladas com a qualidade de um bom texto literário. É um existencialismo despojado de filosofia e transformado subitamente em arte maior, em narrativa vivenciada na imaginação do autor maior quando seu alter ego envelhece com as agruras de quem retirou uma próstata cancerosa e reencontra amigos todos eles muito doentes ou mortos. Como se estivesse num outro mundo, como se todos os caminhos indicassem que ele, igualmente, deveria “sair de cena”. E, à medida que avançamos o romance, avançamos em idade, no dissabor da velhice e toda a sua desgraceira que nos aguarda sempre em cada esquina. Esquinas que não podemos evitar, espaços-tempo que não deixam atalhos ou encruzilhadas. Olhamos fixamente em frente e nossas pernas têm um caminhar autônomo que foge e ri da nossa tentativa de parar. Seguimos como quem segue preso a trilhos de uma montanha russa controlada por um deus sacana, velho, feio e doente, prisioneiro de uma psicose que ele mesmo criou. O homem segue embalado não mais por cantigas de ninar, mas pelo som indescritível soprado com hálito podre pelas bruxas ancestrais como que fugidas do Sétimo Selo com toda a sua peste e pestilência. O homem continua escorregando, buscando agarrar-se a alguma coisa que o salve, que diminua a velocidade da queda e percebe que não há nada em volta. Pessoas são apenas fantasmas que riem impregnados por suas condições do que “não são”, passaporte para a salvação de suas almas que nos deixam escorregar sem pena, olhando nossos olhos arregalados de pavor. O mundo é um pavor, é fruto de todos os pavores de nossas mentes que não tiveram oportunidade de optar desde o início do tempo.

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"A descoberta do Prozac criou um universo de eunucos felizes"

"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, Alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico" Albert Camus

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""Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."
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