Caminho pela madrugada e atravesso grandes espaços de ruas totalmente sem iluminação. Estranhamente, não sinto medo, muito provavelmente por não ser um homem da noite, não ser uma espécie de lobo. Dia desses me perguntaram como conjugo minha insônia renitente com minha afirmação de que “não sou um homem da noite”. Creio que expliquei que um homem da noite se diverte nas madrugadas e um insone crônico, sofre. Josué Montello me contou que sofria de uma insônia terrível. Chegava do trabalho em casa… jantava… conversava com sua mulher, ficava com ela até que dormisse. Depois levantava-se ia para o escritório e escrevia a noite inteira, escrevia à mão, num caderno para que o barulho da máquina de escrever não incomodasse a esposa. Esta, em retribuição, durante o dia datilografava todo o material de Josué. E assim, ele escrever mais de cento e cinqüenta livros!
Se eu tivesse talento, faria como ele, escreveria muitos livros. Na falta de talento, resta-me ler, assistir televisão ou contar carneirinhos. Aliás essa história de contar carneirinhos é o conselho mais vil que se pode dar a uma criança. Adultos são sempre vilões de crianças.
Aproveito o final de semana para colocar a leitura de alguns livros em dia e acompanhar na internet notícias dolorosas como a morte de Zélia Gattai. Não exatamente pela morte porque esse é o futuro de todas as criaturas que se aventuram em viver, mas por contar com menos um artista que me faça surfar na onda das reminiscências.

Na falta de talento, meu querido, a gente costumava a beber nas madrugadas!!! :P
ando “intrátavel”… mas, precisamos combinar nossas “noitadas” virtuais..rs..
beijo,
Claro que você tem talento! E muito! O seu mal é achar sempre que é tarde demais, como se cada madrugada fosse um final e não um começo – uma alvorada – de outro dia.
Abraço, Geraldão!