Dos feriados loucos
Segunda-feira. 21. 4. 08 de G
São dias em que não nos ensinam se devemos ser bacanas ou mal comportados. Esperam uma atitude, sei que esperam. Todo mundo espera uma atitude do outro, bem ali ao lado. Mas a mídia é quem dita qual o comportamento que devemos assumir diariamente. Eu assumo vários e sou pouco influenciado pela mídia porque a conheço por dentro e não acredito nela. Sou o que inventa as histórias para outros e para mim mesmo. Muitas vezes sei que as coisas não vão dar certo, não vão “pegar” porque não foram bem feitas. Sim, coisas devem ser bem feitas, todas as coisas. E, principalmente, explico aos meninos, todas as coisas são “feitas” em algum momento, nada é grátis, nada acontece, nem a chuva. Então somos todos grafiteiros, somos todos bad boys, somos todos o lado esquerdo de deus, a fúria, a ira, o desequilíbrio universal. Sim, sim, eu sou um desequilíbrio universal e sem mim haveriam mais chances para outros como sem outros haveriam mais chances para mim. Estamos todos numa canoa furada, tentando inventar coisas que já foram inventadas desde sempre e sempre. E por que insistimos? Porque não suportamos a existência como ela se apresenta, pálida, sombra fugidia do que seria uma ópera rock, por exemplo. E nem sempre estamos preparados para as óperas como nem sempre estamos preparados para levar socos no estômago de autores que viram tudo de cabeça pra baixo e nos ensinam que não é nada disso que achávamos que era, que tudo é mais, é outra coisa, é desequilíbrio (do nosso ponto de vista) porque desequilíbrio de verdade não existe - como não existe equilíbrio - como não existem regras que esperamos encontrar respeitadas no mendigo da esquina ou na dama da sociedade. Não, é tudo empulhação - eles nos dizem e nós, como cachorrinhos amestrados, dizemos: sim, sim, sim
