Pensamentos tardios…
Sexta-Feira. 18. 4. 08 de G
Os projetos não são todos deixados de lado, apenas alguns. Essa ideologia de estudar e fazer e propor e provocar incendeia a platéia que poderá estar por aqui no dia seguinte ou não. Na maioria das vezes, os que desistem são os que mais se envolveram com idéias diferentes das suas e não, necessariamente, que discordem delas. Conheço algumas pessoas que discordam sempre de tudo. Tem gente que acha engraçadinho. Eu acho chato. É mais uma das coisas que acho chatas e credito esse sentimento à minha idade, uma uma certa irritação com a futilidade. É bem verdade que não consigo muito bem administrar egos e tentativas tolinhas de desestabilizar alguma coisa quando estou à frente de um projeto. Ou estou em meio a esse projeto, não importa. É preciso realmente um grau de informação grande e de cultura para que nos apeguemos às coisas com o intuito de “desmontá-las”. Não vejo ninguém assim no meu horizonte (o último foi Paulo Francis). Da minha parte, enquanto é possível, mantenho-me num recolhimento que aparenta distração ou inação. Volto-me para livros, para anotações aqui e ali de alguma coisa que me seja útil nesse futuro incerto. Gaston Bachelard, se absorvermos bem suas idéias, trata de algo semelhante (em essência). Não tenho muito o que discutir. Detesto falar. Tenho preguiça. Detesto de me expor e ser questionado. Não porque não tenha convicção do que faço, mas porque perdi a paciência mesmo. Não é com ninguém em particular, é com a humanidade que parece-me (salvo exceções) demasiadamente rasa. De uma certa maneira eu acabo perdendo muito com essas atitudes, visto o afastamento das pessoas que não entendem e percebem uma certa “agressividade não manifestada verbalmente” em mim. Talvez seja isso, mas tudo tem mesmo um preço. Fim de semana com grupo de discussão de literatura. Mais questionamentos, mais gente inquirindo sem estar entendendo o todo.

“— e ele disse: cada evento é precedido por uma profecia, mas sem o heroi nao tem evento—”