As explicações

Não sei se foram os derrames de Sartre ou seu alcoolismo o que mais me impressionaram. Creio que foram os derrames. Essa doença que chega de repente e nos joga no chão da vida parece-me uma prova contundente da não existência de Deus. A menos, como me disse D., não seja razoável que, existindo, Deus seja bom. Sim, pode até existir Deus, mas ele nem é bom nem justo. Mas ora! Seres humanos não são bons nem justos. De que serve então um Deus igualmente insano? Melhor lidar com as insanidades terrenas. Ou não é nada disso? Se não é nada disso, devemos deixar de lado um pouco Deus (que ouve oito bilhões de súplicas – atendendo aqui e ali) e partirmos para uma fé um pouco mais rasa, essa que apregoa que, à princípio, somos todos culpados e pecadores e o que nos acontece é apenas o castigo pelo que fizemos. E se não fizemos nada? Bom, pelo que fizemos em outra vida e não lembramos. Ou seja: de uma maneira ou de outra estamos condenados ao sofrimento, à dor, à desgraça terrena em nome de uma justiça divina. E é com isso que querem me convencer… (continua)

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"A descoberta do Prozac criou um universo de eunucos felizes"

"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, Alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico" Albert Camus

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""Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."
Nelson Rodrigues

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