Tempos silenciosos. Tempos em que não nos comunicamos, preferimos não dizer, não questionar nem afirmar. E já não sei se esse tempo é bom ou ruim. Mas há silêncio, sem dúvida. Estamos demasiadamente envolvidos conosco, observando nossos pensamentos (sempre escusos). Porque, na verdade, existem outros eus, uma outra personalidade que habita meu corpo, o seu, o dela. E conversamos – e damos ouvidos – a essa outra personalidade. Virgínia Wolf escutou tantas e tantas vozes que preferiu o fundo do rio. Nós não escutamos vozes. Nós criamos vozes, personagens que somos de nós mesmos e que se rebelam provocando nossas discussões internas e, portanto, nossos silêncios externos. Não existe esse homem só que Camus pretendeu. Existe o homem como grupo. Interno e externo. Existe sim a possibilidade da paixão devoradora ou do ócio emocional. Uma ponte arcaica de madeiras e cipós que atravessamos pé ante pé, atentos a que o desequilíbrio pode ser fatal. Gal Fatal. Buscamos horizontes além das nuvens não porque necessitemos sonhar, mas, antes, porque AQUI não basta. Não me basta esse aqui, nem aquele ali. Preciso (precisamos) de mais, de muito mais, de mochila nas costas da alma para viagens longas, para terras e pessoas desconhecidas. Nossos passos são de anos-luz. Nossa curiosidade não finda com o ponto último do romance. Seria simplista demais. Ontem vi um homem velho e, aparentemente, embriagado equilibrando-se no meio da rua à noite, numa encruzilhada com os carros passando à sua volta, passando pertinho e fiquei ali olhando, sem conseguir me mexer, esperando um carro atingir mortalmente o velho. Por que não fui salvá-lo? Por quê? Mas a vida independe de mim e o homem chegou à calçada salvo como um justo, mais salvo do que eu. Vi um velho em perigo, pronto para morrer e fiquei paralisado. E ele me mostrou que, sim, a vida independe das minhas ações e talvez hoje ele esteja novamente cambaleando numa encruzilhada e vá morrer apenas quando chegar à calçada, morrer de morte morrida, dessas sem história para contar, sem colorido vermelho. Na verdade estamos todos nas encruzilhadas da vida e da morte, estamos todos nos equilibrando em qualquer coisa, todos sendo observados, todos definitivamente sós.
Ela…

Trocas
"A descoberta do Prozac criou um universo de eunucos felizes"
"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, Alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico" Albert Camus
Visite:
wwwgeraldoiglesias.blogspot.com
""Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."
Nelson Rodrigues
Disseram
| josé carlos em Porque o destino não exis… | |
| Mr. Almost em Alternativas fatais | |
| Mr. Almost em Sem nada… só | |
| Ru em Porque o destino não exis… | |
| Karl Gustav em O Grito Primal de cada homem e… | |
| Mr. Almost em A aventura de olhar-se | |
| Jonas em A aventura de olhar-se | |
| Beatriz em O que é o MST? | |
| Jonas em Se ou não ser | |
| G em Mãe | |
| Jonas em Mãe | |
| Jonas em Como esse blog é insuportávelm… |
Entrelinhas
Outros Eus (Perdido)
Minhas Opções
é a vida e é bonita... (In)Sanidade aconteceu a corte saúda Alegria a longa jornada amor sim! a patifada Burros crime! delírio descobertas deus? dos cadernos Entrelinhas equívoco escrever é preciso Ficheiro furdunço G. Gavetas gente burra Idéias e ideais Líquido LENDAS Lenda Urbana leveza do ser liberdade libidinosamente Livros livros & livros mãe miscelânias mis morte Mulher Mundo Tropical o fim O pânico opções ao câncer O resto é mar... Os dias... Outros Eus (Perdido) Papéis esparsos Poesias possibilidades Puto da vida Radicalizar raros amigos reais fantasias Seiva Selva Tchau Uísque viagem viver não é preciso
Do que se gosta?
- Nenhuma
Tempo…
Eu disse recentemente
Mais lidos?
- na Revista de Domingo do Globo de hoje, Marta Mede...
- Eus
- o fenergam, embora não tenha a tarja preta, potenc...
- Mãe para o filho: "Ai, como eu te amo..."
- GEAP - UM PERIGO À VISTA - PREVINA-SE
- 3 Poemas lindos de Geraldo Carneiro
- Moiras e Ninfas
- Dormir
- Funções de televisão
- Ela!
- durmo e acordo. quero dormir muito, muitas e muita...
- Bondes e brincadeiras de jovens que a gente não deve se intrometer
Quem é quem?
- (In)Sanidade (26)
- a corte saúda (7)
- a longa jornada (6)
- a patifada (4)
- aconteceu (27)
- Alegria (12)
- amor sim! (5)
- é a vida e é bonita… (1)
- Burros (20)
- crime! (2)
- delírio (11)
- deus? (4)
- descobertas (9)
- dos cadernos (1)
- Entrelinhas (17)
- equívoco (13)
- escrever é preciso (5)
- Ficheiro (25)
- furdunço (3)
- G. (437)
- Gavetas (5)
- gente burra (11)
- Idéias e ideais (64)
- Líquido (53)
- Lenda Urbana (31)
- LENDAS (2)
- leveza do ser (25)
- liberdade (35)
- libidinosamente (24)
- Livros (2)
- livros & livros (47)
- mãe (14)
- miscelânias mis (7)
- morte (4)
- Mulher (104)
- Mundo Tropical (25)
- o fim (15)
- O pânico (32)
- O resto é mar… (85)
- opções ao câncer (4)
- Os dias… (341)
- Outros Eus (Perdido) (1)
- Papéis esparsos (164)
- Poesias (8)
- possibilidades (10)
- Puto da vida (15)
- Radicalizar (26)
- raros amigos (3)
- reais fantasias (4)
- Seiva (18)
- Selva (4)
- Tchau (4)
- Uísque (58)
- viagem (14)
- viver não é preciso (5)
0 Respostas para “Velhos equilibristas”