Realmente não tenho audiência. Mentira, os números de visitas são altos, mas os comentários, pífios (em quantidade). Ninguém tem responsabilidade sobre isso, apenas eu. Falo de coisas “incomentáveis“. Trato de sentimentos, experiências e vivências metafísicas e ninguém (com toda a razão quer se meter nessa história complicada e chata)! – Até mesmo minha fiel K. sumiu! De uma certa forma eu estaria ardendo no mármore do inferno se a tiragem fosse essencial. Não é. Estou completamente absorvido no trabalho da construção de um novo modelo de televisão. No futuro poderei ser reconhecido ou galhardamente defenestrado. Por incrível que possa parecer, não me importo muito. Creio que não tenho mais nada a mostrar a ninguém, tenho apenas que realizar as coisas que acredito (o conceito de ‘bem feito’ ou ‘mal feito’ é absolutamente relativo e, de certa forma, me soa irrelevante). Muitas noites em claro, Nenhuma leitura, pouquíssima escrita, apenas uma preocupação estética e de conteúdo com o que produzo. Pode ser o canto da cotovia que Romeo anunciou (ou foi Julieta? Não lembro). Em algum momento estaremos empreendendo o último voo, não é verdade? Pode ser agora e pode não ser (torço para que não seja). Aprendi, depois de bem velho, a gostar da vida. Eu não gostava da vida na minha juventude… Agora, num provável ocaso, gosto. Como sempre digo, eu mudo de opinião rs. Mas nesse momento não são essas coisas que ocupam essa mente claudicante… É a necessidade de colocar no ar um produto digno. Nada mais. Persigo essa proposta febrilmente. Conseguirei ou não. Impossível imaginar agora se conseguirei. Por outro lado, sinto imensa falta dos personagens dos livros que costumo (costumava) ler. Sinto-me mais ou menos órfão. Igualmente sei que as pessoas no meu trabalho ainda não me conhecem nem reconhecem (normal). Imagino que hoje eu esteja num dia “não”, talvez um pouco fragilizado por uma série de coisas. Mas sei que é assim mesmo, “faz parte do meu show”. Cigarros, bules e bules de café. Um tosse seca me persegue e relembro “A Montanha Mágica” de T. M. Claro que sou um ator de quinta que pretende, sem sucesso, provocar lágrimas numa platéia de esqueletos. Bem sei que o momento seria de aposentadoria, de abrir espaço para os meninos de talento que estão aparecendo. Ainda não tenho a resposta exata para continuar em cena, farsa da farsa. Tédio e Náusea. Sei que, no mínimo, não “sou mais o cara”. Sou um insistente, remanescente, sobrevivente. O mundo mudou e eu não acompanhei. Novamente a farsa: sou um “amador” e “fazedor” chorão.

Crocodilo chorão!
eu não sumi não..rs.. (até rimou…)
como você, estou com muito trabalho e pouco tempo. E diferente de você, infelizmente, não estou construindo nada digno. Só “honesto”, de modo que pague meu aluguel.
Mas, o principal motivo é o acesso de leitura e escrita. E, estou aproveitando essa fase. Ontem li Nabokov, O Mago, um romance curtinho que foi a primeira “inspiração” para Lolita.
Hoje, me aguarrei com Proust.
tá vendo?
você está sendo trocado por concorrentes à sua altura. E, pare de chorar…
não te abandonei, nem vou te abandonar. E, passo todos os dias por aqui.
beijo, saudade.
vou voltar pro Proust….rs… e, depois vou ver Bergman…rs..
beijo beijo beijo
CHORÃOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO…
:)
*** excesso de leitura e escrita..
Primo (por que é tão bom chamá-lo assim?),
pelo pouco que te conheço, e te leio, parece que, finalmente?, você entrou na adolescência!!
Pelo visto, você está apaixonado! Por uma nova perspectiva de projeto, por um sonho que se avizinha na Relação…
E o amor há de ser o melhor remédio para essa tosse seca que te acompanha como aos velhos intelectuais e poetas do séc (ai) retrasado.
Você é um doce e necessário “demodé”, Geraldo: esse papo de “aposentadoria”…Francamente. A quem você quer convencer?
Um programa é um programa é um programa.
A vida É.
Você volta e meia me diz para relaxar. Ah, o espelho… Será que não entende que é na agitação que encontro meu bálsamo (adoro essa palavra!)? Será que não vê que é nessa “angústia” que você (eu) mesmo se abastece?
Seus personagens -dos livros- ali na estante, ali continuarão. Daqui a pouco você reencontra e, quem sabe, com outros olhos possa reconhecê-los?
Tempo tempo tempo tempo……….
Você tá precisando alongar.
Até amanhã, na escada com os cigarros.
bj
Oi! Eu leio o teu blog bastante. Inclusive, em algum tempo vago que me sobra, entrou aqui para ler os arquivos. Porque me consta que finalmente há vida inteligente na internet! Mas nunca comento porque de fato, não sei o que dizer, e se soubesse, não sei se o faria. E se o fizesse, não sei se me sentiria bem fazendo-o.
(Complexo.)
E ah… sempre que venho aqui, penso que não sou filha única de Godot.
Bem, antes que eu comece a me sentir mal ou pensar que escrevi besteiras, vou apertar “Enviar Comentário” logo logo.
Defenestrado? hum… pelo que ando lendo por aí, é só seguir a nova cartilha, evitar palavras que comecem por “do”, por exemplo, e abusar dos eufemismos, que você será reconhecido. hehehe
abraço!