Me perdi de mim – mas com tesão

Dia longo, poucas palavras. Sinto-me estranhamente esvaziado. Respondo a 300 perguntas em média por dia. Nem de um terço eu tenho certeza (e quem disse que eu tenho certeza de alguma coisa?) Dia a dia eu descubro que não tenho certeza de nada, que ninguém tem, que a vida é uma inspiração sem a garantia da expiração ou vice e versa. E no final eu faço o quê? Não sei, não sei e não sei. E quer saber? Nem quero saber. Sei que não existe o sempre nem o nunca, sei que a vida me leva e pessoas pontuais me gostam ou acreditam. Outras tantas desgostam e desacreditam. Normal.Um dia pretendi ser Super-Homem, dia de quase 50 anos atrás. Agora quero ser super flit… brasileiro… essa coisa jeka atávica que o Francis falava, essa coisa Macunaíma (detesto Macunaíma). Esse jeito babalaô que ora me encanta e ora me desespera de ódio. Rita Lee cantou “Sou amor da cabeça aos pés”. Cantei com ela. Talvez hoje nem cante tanto, mas queria ser, queria deixar alguma coisa que olhassem e falassem: ‘gozado, olha o que esse maluco fez… devia ser internado num manicômio’. Mas nem isso.. Quem fez isso foi o Raul Seixas. Então tá, eu imito ele naquilo que me pretendo, que tenho a ousadia de dizer que mais ou menos sei fazer. Sei? Sei nada! Eu já disse que não sei nada e não é brincadeira, eu gosto só de experimentar, de ver o que pode dar de uma coisinha que eu penso, imagino (nunca consegui realizar exatamente o que gostaria, mas quem conseguiu ?) Enfim, vou fazendo, experimentando, dando minhas cabeçadas – que não são absolutamente poucas – me amparando aqui e ali como cego em tiroteio. Mas com tesão.

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"A descoberta do Prozac criou um universo de eunucos felizes"

"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, Alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico" Albert Camus

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""Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."
Nelson Rodrigues

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