Mulher. Mulher. Mulher. Dia, semana e mês da mulher. Mulher, mãe, cálice, útero do mundo. Responsável pela Humanidade. Grande Deusa. Esteio meu e todos nós. O repouso, o porto, o entretanto. Metade. Mais da metade. Mulher que és minha companheira, minha mãe e minha filha. A Terra. A vida. A sorte. A virtude. A morte.
Sendo tanto, é fácil falar da mulher, retratar a mulher, dizer: eis a mulher? Esse é o motivo da minha insônia e angústia atuais. Tenho cinco dias para fazer um documentário que fale da mulher. Quanto? Quanto conseguirei? Quanto é humanamente possível fazer? Quanto serei capaz? Existem adversidades, muitas, para uma empreitada onde não deveria haver nenhuma. Principalmente, o tempo. Tempo, tempo, tempo tempo. Eu quero tempo e não tenho tempo, parece que o tempo me quer, não com tempo, mas como a me desafiar a desdobrá-lo – o que não sou capaz (ainda). Porque eu preciso falar muito, eu preciso mostrar o objeto amado: mulher. São tons, sons, percepções, visões da mulher, de quem me deu a vida, de quem gerou nossos frutos, de quem me acalanta e, por fim, repousa suavemente a mortalha sobre mim. Onde encontrar agora todas essas mulheres, que fio condutor, que palavras, que músicas, quais entre tantas? Falo de Ana C. e não falo de Sylvia Plath? Falo de Pagu e não falo de Beuauvoir? O que mostrar de cada uma, o que explicar sobre cada uma, onde encontrar seus depoimentos, que frases melhor as definem, quais imagens, épocas, sentidos, pontos de vista, expressões, olhares, esgares? Quais segredos? O que não foi dito? O que foi feito? Será que elas influenciaram só no que sabemos? Não. Existe um lado oculto nas biografias, nas fotografias e nas poesias. Hannah Arendt.. Olga Benário? Quem mais? Mais milhares e milhares, metade da população de qualquer época. E como se fala da população de qualquer época em uma hora de duração, como se juntam todas em cinco dias, como? Como? Como? Estou – minha cabeça – nadando em mulheres – Todas as Mulheres do Mundo. Estou me afogando em mulheres, sendo atraído inexoravelmente para dentro do útero que me cabe inteiro, desse tamanho que estou, dessa maneira, dessa forma descontrolada… Sou uma mulher? Sexo frágil? Sim, quem não é frágil, quem não é mulher, quem não é “estar”, quem duvida da força, do poder, da emoção, do desvario de apresentar a mulher – mas que ousadia malsã é essa? Help!

poderia falar muita coisa.
Dar dicas para o documentário que não é meu.
Mas não.
Boa sorte.
Falar da mulher deveria ser fácil. É um ser humano como outro qualquer. Sem nos apegarmos a fiosofias e religiões ligadas à deusa. Deveria ser fácil.
Não é.
O mundo não consegue ver a mulher como apenas mais um ser humano.
A mulher não consegue ver a mulher como apenas mais um ser humano.
O homem não consegue ver a mulher como apenas mais um ser humano.
enquanto isso fazemos documentários difíceis sobre a mulher
G,
me leva para o Rio que eu te ajudo!!!! rs rs rs
beijosssssssssssssssssssssssssssssssssss
boa semana.
e relax.
vc é competente e sabe disso.
acho que você vai dar conta na boa dessa empreitada!!!minha intuição não me engana… boa sorte
Pode parecer um misto de ingenuidade, pretensão e tolice, mas lembrei de duas coisas: a frase na musica que a Rita Lee canta: “mulher é um bicho esquisito, todo mês sangra”. Porque isso de sangrar todo mês é muito estranho.
E uma cena com o Jack Nicholson no filme “As bruxas de Eastwick (não sei se está escrito corretamente) em que ele faz uma declaração sobre as mulheres.
Acho que se você tocar neste tema com este cuidado que você mostra no post, já é um roteiro. Sabe, sem tentar dizer algo sobre, ou apenas sobre mulheres interessantes. As mulheres anônimas não seriam pedaços dos espelhos que Ana C e Sylvia e Simone e Virginia quebravam?
Vai ficar bom.
mande notícias depois.
beijinhos