Poe

Não ouso falar da minha morte nem do corvo que pousará solitário na lápide (se houver uma). Penso mais na quantidade de aves negras que voam alto sempre numa espécie de círculo ameaçador aos viventes. Sou um desses viventes que aparece eventualmente em farrapos nesse lixões que se alimentam do lixão social. De certa forma Poe mostrou isso sem ser explícito (e aí a sua grande arte). Beckett idem e centenas de milhares de anônimos que não publicaram, foram atores dessa sexta macabra que a vida às vezes insinua.

2 Respostas para “Poe”


  1. 1 cochisepoeta 21/02/2008 às 22:50

    Interessante o texto.
    Conseguiu fazer uma boa ligação entre morte e morte.
    A primeira vista parece confusi, mas é muito bom.
    Só um pouco curto demais

  2. 2 ricardo soares 22/02/2008 às 15:33

    pessimista porém contundente essa sua alusão aos corvos de poe sobrevoando as lixeiras… já tinha visitado aqui esparsamente antes do nosso encontro real hj por designios do destino…voltarei mais vezes… me explica porque é pós sobretudo de lona ? havia um sobretudo de lona antes , é isso ?
    abs


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