Eu não conhecia Mario Benedetti, autor uruguaio com obra grande publicada. Mas a propaganda de boca a boca me levou ao livro ‘Correio do tempo’, excelente coletânea de histórias brevíssimas, quase micro-contos. De uma sentada li metade do livro e só não continuei porque tinha roteiros para escrever. Hoje termino o livro. Realmente excelente. Ora suaves, ora um soco no estômago. São histórias descontínuas, às vezes tenho a impressão de que foram escritas por diferentes autores. Às vezes me perco e releio, outras fico ali, parado, pensando. Estranhos personagens, livro estranho.
Agora, por influência de K. comprei os diários completos de Sylvia Plath, mas quando terminá-lo vou comprar todos os livros de Benedetti. Preciso entender o universo desse homem. E enlouquecer com ele. Permitir-me transitar em seu mundo desequilibrado, tentar compreender sua alma. Às vezes acho que a alma ou ânima dele é semelhante à minha ( a dele com talento, evidentemente ). Coisas para a hipótese de futuro. Como não creio no futuro, não sei se acontecerá alguma coisa, se desvendarei o que esse enigmático homem quer dizer ou não. E por que ele me lembra Ítalo Calvino se ele realmente não parece Calvino? Haverá uma ligação entre nós, dessas que determinados autores estabelecem com um leitor aleatoriamente, sem motivo aparente? Queria saber, mas não sei. Existe uma certa magia em sua escrita como se ele me fosse uma espécie de pai em outra dimensão. Existe um mistério. Não sei.

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