A leitura de Tête-a-Tête, se vista criticamente e sem partidarismos mostra que, apesar do lado bom das relações abertas, o casal ao abrir mão de uma certa fidelidade está, ao mesmo tempo, abrindo mão da felicidade. Talvez o ser humano realmente não seja monogâmico, mas a bigamia consentida e discutida, com certeza, também não traz felicidade. O exemplo de Sartre e Beuvoir é um exemplo clássico do sofrimento pela relação aberta e não o contrário como tentam nos provar os praticantes da mesma.
Existe uma tendência em todos nós em percebermos aquilo que acreditamos nos livros que estamos lendo. Então, por exemplo, se eu acredito em relações abertas, vejo em Tête-a-Tête um libelo a relações abertas. Evidentemente não se dá assim. Embora o livro descreva e analise a relação aberta de Sartre e Simone, por outro lado, mostra claramente a carga de sofrimento que essa relação causou em ambos influenciando suas obras e o fim (quase trágico) do casal. E eu me pergunto: isso é positivo? Valeu à pena? Não seria mais óbvio, mais cômodo não se assumirem como casal (embora não tenham casado de fato)? Aliás, A Idade da Razão (meu livro de cabeceira durante a juventude) e A convidada não se transformam quase em livros infanto juvenis? Já eram dois filósofos quando os escreveram! Ainda assim precisaram descarregar nos romances suas angústias existenciais não pelo existencialismo em si, mas pelo sofrimento que os relacionamentos extras do outro causava em cada um deles! Não cheguei ainda nessa parte do Tête-a-Tête, mas Sartre faz de A Náusea sua obra-prima do existencialismo, certo? Certo. Mas o que há por trás daquela náusea sufocante do mundo? Simplesmente o mundo? Não! Existe também uma náusea interior, náusea não apenas do que vê e pressente, mas do que vivencia! Sim, o mundo pode (e é) nauseante, mas conta nesse mundo também o eu, a própria forma de existir e se relacionar. E o sofrimento em nós mesmos conta bem mais do que a percepção de náusea e sofrimento no mundo em teoria.
Por fim, não sei qual o melhor modo de relacionamento. Talvez exista um meio para cada pessoa e o segredo esteja exatamente em encontrarmos pessoas que pensem como nós. Parece-me razoável, mas não como regra isso ou aquilo. Tirando as taras (que são doenças mentais), acredito que toda opção deve sempre ser considerada possivel e mesmo boa para o praticante. Somente para ele.

Permita-me a liberdade de comentar o seu texto?
Percebo na sua escrita um ar de julgamento muito forte, que você procura disfarçar quando joga frases como “acredito que toda opção deve sempre ser considerada possivel”. Você conceitua taras como sendo doenças mentais, mas ao mesmo tempo quer parecer relativista… Acaba soando incoerente.
Acho que você ainda não disse o que pensa de verdade, o que é totalmente compreensível, pois esse mundo é de fato nauseante… e estarmos confusos infelizmente é o que nos acontece dia sim dia não, quando entramos em contato com a vida através dos NOSSOS próprios olhos.
Grande abraço.