Tête-à-Tête, a história da vida em comum de Sartre e Beuvoir é um livro que eu namoro há muito tempo e acabo, por um motivo ou outro, não comprando. Dessa vez comprei. Um livro grande e pesado. Os dois autores são meus heróis e procuro pautar (adaptando, evidentemente) minha vida sobre muita coisa da vida deles. Um casamento aberto, por exemplo, ainda não é uma coisa que eu esteja preparado (veja só como sou careta). Mas eu digo isso porque não surgiu ainda a oportunidade, não sei como seria se houvesse uma proposta dessas de alguém que eu gostasse muito. O problema é que essa monogamia é cultural, atávica e implica em outros movimentos conscientes e inconscientes para a gente se livrar dela. Simone e Sartre conseguiram isso há quase 50 anos atrás. Bom, mas eles são os heróis, eu sou o leitor. Tenho amigos queridos que já ultrapassaram essa barreira e só tenho admiração por eles. Será minha idade provecta? Será uma formação arraigada? De qualquer maneira, não interessam os nomes que damos a isso. O fato é que acontece, ta lá, na nossa (minha) cara e eu não sou o único nem minoria (embora a unanimidade seja burra, claro).É o seguinte: quando eu amo uma mulher, de certa maneira, rola um sentimento de posse. É feio falar, mas é uma realidade que não se pode fugir. Havendo esse sentimento de posse rola outra coisa que está atrelada. Os casais se querem exclusivamente um para o outro. Uma relação aberta, racionalmente, eu entendo como natural, mais ou menos óbvia. Mas na prática, infelizmente, é muito diferente. Não há dúvida de que, se alguém tem que mudar, sou eu. Enquanto isso, vou lendo as aventuras de Sartre e Beauvoir.
Ela…

Trocas
"A descoberta do Prozac criou um universo de eunucos felizes"
"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, Alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico" Albert Camus
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""Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."
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