Dia 26, dia de festa, de comemoração. Inclusive o Natal, tudo passa “Tudo sempre passará, a vida vem em ondas como o mar, num indo e vindo infinito” (N.M.)
A história é a seguinte, a festa que eu mais detesto é esse famigerado Natal. Não conheço nada pior, de mais mal gosto, mais brega. Uma coisa meio ditatorial que te obriga a dar e receber presentes, a ficar com a família e blá blá blá. Mas passou. No ano novo a coisa me parece mais relax, as pessoas se soltam, festejam, bebem, riem… enfim, é mais divertido. Acho até que o Natal coloca caraminholas na cabeça das pessoas. Sim ou não? Não tenho certeza. Passou.
Penso nessa gente bonita e saudável que eu conheço e fico feliz, me dá uma alegria imensa saber que tem gente que já se liberou de tudo, que é livre, que passeia, que trabalha, bebe, fuma maconha, faz tudo sem culpa nem preconceito. Penso nessas pessoas e sou tomado de leveza, pureza, amor. Porque, no fundo, é isso. A gente tem muito amor pra dar. Gozando ou não. Mas amor…. puxa, todo mundo tem, transborda nas pessoas, é uma coisa inexplicável e, ao mesmo tempo, absolutamente óbvia. As mulheres, os rapazes, essa gente que se procura, se abraça, se dá… Pode um sentimento mais bacana do que esse, essa visão tipo celestial de um grupo falando besteira, brincando, rindo muito, gente que é prazer da cabeça aos pés.
De uma certa forma, me incluo nesse grupo embora não esteja presencialmente com todos (ou, pelo menos, ao mesmo tempo). Não faz mal. Saio com meus amigos, os papos rolam soltos enquanto a madrugada avança, enquanto o universo se expande, enquanto fazemos pedidos para as estrelas cadentes que não podemos ver numa cidade grande, mas sabemos que estão lá, riscando os céus. Isso é o que realmente me interessa: olhar os meus filhos que sorriem para mim, me abraçam e dizem: “Eu te amo”. Esse prazer, essa alegria são impagáveis. De vez em quando uma coisinha aqui e ali podem me deixar chateado ou triste, mas no balanço geral, o saldo é muito bom. Ter amigos e conhecer gente maneira é uma dádiva. uma coisa. Assim.
Acabo me esquecendo se está fazendo calor ou frio, chovendo ou fazendo sol. Há muitos anos, à trabalho, eu corri o Brasil de ponta à ponta. E de vez em quando penso que desejo fazer isso novamente, visitar os lugares, ver minha gente, tomar água de côco, observar as baianas, as paulistas, as capixabas, jogar sinuca com amigos. Quero rever essa terra, perceber como tudo está andando, mandar muitos cartões postais e depois retornar ao Rio de Janeiro, meu porto seguro. Cometer poesia, ler poesia. Jornaleiro. Garçon, borracheiro. Ouvir música. Muita. Cantar no chuveiro. Roberto Carlos no auge do TOC não conseguia cantar “se o bem e o mal existem”… ele dizia: “Se o bem e o bem existem”. As pessoas atribuíam à doença. Será? Por que não dizer sempre se o bem e o bem existem? Coca Cola bem gelada. Meninos mergulhando no mar. O banhista de vai. Aguardar as águas de março.
São miríades de coisas como estrelas. Todas. Tenho tudo aqui, ao alcance da minha mão e pouco me importam os sentidos figurados. Perceber todas as possibilidades que coisas e pessoas me proporcionam … (Nós) precisamos ter uma atitude mais condescendente com a vida, com todas as coisas que nos acenam e não percebemos. Em breve virá um outro ano. Não vai mudar nada, claro. Banho de sol. Pássaros. Pantanal. Jacaré. Flor de lis. Eu. Você. Eles. Fim de tarde no Leblon (como é bom passear no Leblon!). “Gente é pra viver, não pra morrer de fome” (Caetano) No fundo é isso….eu quero apenas caetanear.

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