Desencontros

Parte você, partem as pessoas. Pareço ouvir o barulho da proa, do casco sobre as ondas retas. Penso na retidão e sinto-me enjoado, enojado. O que chamam, afinal, de retidão. Não sou reto, sou o da encruzilhada, da dúvida, o que morre soterrado em interrogações. Meu bar é meu escritório ou o contrário. O uísque deve ser farto, como farta a leitura e a escrita. A prosa? Não sei, depende muito, depende de quem, com quem, para quem. Presumo um certo infantilismo até que me provem o contrário. Gosto de colocar e ser colocado à prova, gosto de desafios e não abdico de nada se perco. Se perco, repito, sou um real perdedor, um honrado cavalheiro que cedeu por motivos vários. Me conte apenas, não precisa explicar, porque levantou de nossa mesa, do café que tomávamos trocando olhares? O que nos dissemos por carta que não se realizou em nosso encontro? Sou indesejável? Soberbo? Fétido? Creio que não. Nem você, mas, repentinamente, uma névoa turvou seus olhos e, antes da lágrima derramar-se, você levantou e saiu. Atônito segui a linha reta que você marchou até o passeio e depois te perdi. Em casa, à luz do meu candeeiro, vou te escrever uma carta – que sabe acerto o endereço – perguntando ou contando meu desassossego.

0 Respostas para “Desencontros”



  1. Sem comentários ainda

Deixe um comentário




Ela…

Ela...

Trocas

e-mail


"A descoberta do Prozac criou um universo de eunucos felizes"

"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, Alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico" Albert Camus

Visite:
wwwgeraldoiglesias.blogspot.com

""Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."
Nelson Rodrigues

Do que se gosta?

  • Nenhuma

Tempo…

 

Dezembro 2007
S T Q Q S S D
« Nov   Jan »
 12
3456789
10111213141516
17181920212223
24252627282930
31