Posso trazer todo o traço indistindo, não falado, deixado de lado numa tarde de delicioso tormento.
Se ela, entretanto, experimenta meu tormento,
minhas labaredas e meus espasmos…
se é dada a vivenciar todas as coisas
como quem visita asteróides invisíveis a olho nú…
Não, ela não será a mesma outra vez.
Será outra, será a próxima,
haverá dado um salto indistindo,
num mar de signos bissexuais…
entenderá o que é fundir-se completamente
ao corpo dele e ser usada,
violenta e ternamente usada
bem como fará uso dele como se ele fosse nada,
fosse um substantivo objeto de desejo e nada mais,
um escravo-patrão, um homem-mulher,
uma mistura de impressões, cheiros,
tensões e líquidos que brotam em profusão
até não se saber mais qual vem de quem…
ainda não, ainda não é a hora do canto da cotovia,
se estavam no tapete, voltem aos lençóis,
suguem o fruto que se oferece,
façam da seiva insistente – e reincidente -
a alegria (lacrimejante) máxima,
como se fosse a derradeira,
como se o sumo fosse o orvalho último

Lindo texto.
é daqueles textos que nos abraçam… ou melhor, nos deitam com a cabeça no colo e faz cafuné….
lindo texto.
Que lindo G… É talvez o texto, escrito por vc, mais lindo que já vi. Intenso!
Fiz uma citação a este texto no Literatices Eróticas.