Hora de olhar e ir

Sou freqüentemente dado a decepções. Muito. Eu insisto em imaginar um mundo com pessoas como elas não são. Vou quebrando a cara. Existe um caráter sensual e sexual na história. Sempre existiu. Agora a coisa muda. Me vejo só. Fora do contexto, fora do que desponta com força. Me pergunto se ainda vale à pena e a resposta é não. Fui afastado, distanciado. A palavra buscada com afinco não tem interesse, não chama a atenção. Percebo, ao redor, que outras tribos se acomodam e se formam. E não faço parte desse show. Mais uma vez. Uma história que se repete desde a infância, quando eu não compreendia porquê não estava inserido no grupo. Tudo se repete. Os silêncios. Afastamentos, incompreensões. Como se, acidentalmente, minha jangada tivesse soltado as amarras. E não há aventura, o mar é calmo, despretencioso. Olho o céu azul e a praia com pessoas que se afasta, pessoas em grupo que vão me parecendo menores e menores pela distância. Jogo, em garrafas, ainda alguns bilhetes no mar. Nada. Não tenho mais a vara de pescar, não tenho mais o remo, não tenho mais a expectativa de alterar, de alguma maneira o rumo sem sal que prevejo em futuro. Em oferenda, expus meu corpo e meu espírito que foram, discretamente, recusados. Percebo tudo, entendo tudo o que vai se delineando. Volto ao prazer solitário da leitura. Por instinto de sobrevivência, opto por dar mais um tempo, por aguardar mais para ver a confirmação do que será. Silencio.

O tempo, Senhor da Razão, mostra quando esse tempo é outro, quando mudou, quando viraram-se as páginas da história, quando é a hora do afastamento, hora de entender que não adianta insistir nem manter em alta, expectativas do que, definitivamente, não é. Não é.

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"A descoberta do Prozac criou um universo de eunucos felizes"

"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, Alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico" Albert Camus

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""Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."
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