Os dias são passagens. Das lembranças do que foi e expectativas do que será

Ele senta na cadeira confortável, acende um cigarro e olha para o teto, hábito recorrente e inexplicável. O que existe é só lembrança. A noite, a madrugada, hora em que algumas crianças dormem e outras, mais velhas, relutam, é a morada do que há, do que pode haver, de quantos sentimentos, impressões e sensações rolam durante os dias. Ele pensa no que são os dias, passagens do tempo, período de aproximação, de mostrar-se, de compreender. Ele insiste sim, muito (por desejar e acreditar que é mútuo), mas não pode chamar de conquista. A conquista não existe como se imagina. O que acontece é uma troca, uma entrega, uma mistura de desejos, pernas, fluídos e sons (contidos). Ela – ele ainda recorda – se dá como se deu a seu filho. São os instantes em que tudo se mistura, quando a lógica cede espaço ao ser. Percebe que não é, não pode ser eventual nem racionalizado. Uma possibilidade de PLENITUDE pode desnudar a entrega mútua constante, o abandonar-se e o vivenciar tudo, dia após dia. Por quê? É o que há.

Existem momentos que não são descritíveis (nem deveriam), não são estudados nem analisados. São coisas além, mais profundas. Coisas de pessoas entre pessoas, o repouso na chegada ao porto seguro. A morada.

0 Respostas para “Os dias são passagens. Das lembranças do que foi e expectativas do que será”



  1. Sem comentários ainda

Deixe uma resposta




Ela…

Ela...

Trocas

e-mail



Mini blog



"A descoberta do Prozac criou um universo de eunucos felizes"

"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, Alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico" Albert Camus

Visite:
wwwgeraldoiglesias.blogspot.com

""Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."
Nelson Rodrigues

Do que se gosta?

Tempo…