Ele senta na cadeira confortável, acende um cigarro e olha para o teto, hábito recorrente e inexplicável. O que existe é só lembrança. A noite, a madrugada, hora em que algumas crianças dormem e outras, mais velhas, relutam, é a morada do que há, do que pode haver, de quantos sentimentos, impressões e sensações rolam durante os dias. Ele pensa no que são os dias, passagens do tempo, período de aproximação, de mostrar-se, de compreender. Ele insiste sim, muito (por desejar e acreditar que é mútuo), mas não pode chamar de conquista. A conquista não existe como se imagina. O que acontece é uma troca, uma entrega, uma mistura de desejos, pernas, fluídos e sons (contidos). Ela – ele ainda recorda – se dá como se deu a seu filho. São os instantes em que tudo se mistura, quando a lógica cede espaço ao ser. Percebe que não é, não pode ser eventual nem racionalizado. Uma possibilidade de PLENITUDE pode desnudar a entrega mútua constante, o abandonar-se e o vivenciar tudo, dia após dia. Por quê? É o que há.

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