Eventualmente carrego toda a tristeza do mundo. O tempo, senhor da razão, tem uma renitente assincronia comigo. Aposto no improvável e depois, de forma um tanto histriônica, pantomima, vivencio o que não era para ser, o que foi avisado. Eu tenho a sorte de conhecer pessoas que me dizem a verdade de maneira meiga, mas firme. Concordo com todas as propostas, sinceramente desejo correr todos os riscos. E isso é uma verdade absoluta. Ao mesmo tempo, esquizofrenicamente, um outro lado meu sussurra em meu ouvido que não, que não vai acontecer o acordado, que as coisas vão se inverter e não sentirei frio. Sem dúvida, incoerente, ilógico, ilegal e indecente. Não sou incoerente (repito a palavra?) nem desdigo minha proposta de risco. Ela é sincera, tangível, está claro. Minha inconstância é comigo apenas. De noite, madrugada adentro, o sono insiste em escapulir de forma insidiosa, quase libidinosa. Tomo inúmeras doses de uísque puro buscando não a insensatez (que essa trago em mim naturalmente, sem necessidade do álcool), mas buscando o acalanto ou, por fim, um pouco menos de frio. Viro de um lado para o outro. Reafirmo meu compromisso em aceitar o pacto da imprevisibilidade, da incerteza e da dúvida. Antes, do “improvável” anunciado. Sim! Apago o abajur e, no escuro, observo o teto à procura das estrelas (que vejo concretamente). Apenas é estranho esse frio que me chega aos ossos da alma e uma solidão que, imprópria, me agrada ao imaginar que ela esteja feliz, plena. Em meio às cobertas, libidinosamente, escancaro para mim mesmo que sou paradoxal, disrítmico, eventualmente frágil, mas certamente um incorrigível amador. Amador como uma tatuagem que me queima deliciosamente.
(retirado do Geraldo Iglesias*)

Disseram