Existem aventuras e aventuras. Não sei se me disponho a todas, se serei capaz de todas. Acredito que não. Acredito que minhas aventuras estejam escasseando, tornando-se mais seletivas num movimento natural da idade avançada. Observo atentamente os mais jovens (e eu) invejando algumas coisas e ridicularizando outras. Jovens podem ser ridículos e velhos também. O que separa? Aliás, o que é ser ridículo se aquilo que é objeto e crítica em um é de prazer para outro? Não são exatamente as pessoas, mas o mundo é prostituto. Num mundo prostituto, toda investida ou pensamento tem também esse caráter, essa possibilidade intrínseca que me faz não desistir de determinada coisa. Morrerei entre ela. De noite e de manhã. Determinadas frutas, li em algum lugar, devem ser chupadas com atenção, carinho e um certo rigor porque assim a seiva se renovará e o prazer pode ser constante.
Se é assim, o que dizer de coisas menos importantes como a chuva que cai impiedosa agora, que me estimula a ir para a cama para dar continuidade ao que foi hoje, ontem, anteontem e sei eu mais quanto? Aliás, escrevi determinadas coisas sobre a chuva que publicarei não sei onde. Ou não.

Essa tal de meia idade… Apesar dos meus 23 anos, por olhar muito para os mais jovens, acabo me sentindo velho demais. Vivo as minhas aventuras e olho a dos mais novos, as comparo, as vezes sinto vergonha das deles, as vezes das minhas. As deles parecem tão delinqüentes, as minhas tão “caretas”. Mas as coisas acontecem assim mesmo, aprendemos a olhar para os mais jovens e a invejar a sua disposição. Se olharmos um pouco mais para os mais velhos, além de aprendermos mais, é possível que aprendamos a viver melhor também.