Arar a Terra

Como é o filme que o cara vai remando, remando rumo ao horizonte e acaba batendo num fundo infinito de madeira azul (O Mundo de não sei o quê)? Pois é. Essa cena é muito mais simbólica do que parece a um olhar desatento. Existem outras formas de se fazer entender, como “malhar em ferro frio” e outras, mas não creio que sejam adequadas. A constância de diálogos, propostas, idéias, atitudes e tudo o mais que vamos fazendo invariavelmente é um ‘remar em águas cristalinas contra um belo horizonte’. A expectativa então é essa: remaremos, felizes, eternamente ou nosso barco vai dar um trombada num fundo infinito teatral, de madeira pintada de azul?

Interessante estar atento a que ambas as possibilidades existem e, ao olhar entusiasmado o horizonte, ainda no ponto de partida, não há como saber o que vem pela frente. Niilista e pessimista, acho que sempre trombaremos com o falso fundo infinito. Os crentes, saudáveis e corretos, apostam no contrário: num remanso eterno, céu e mar para sempre. Ambas as opiniões podem estar certas ou erradas. O limbo da vida, a possibilidade de.
A mim, muito particularmente, cansa muito essa história de eternas possibilidades. Preferia a coisa um pouco mais definida, clara. Não tenho a menor paciência com situações, locais e pessoas mutantes, que não são claras e lineares. Os críticos rapidamente sacarão aquela respostinha tolinha,  pronta e barata: “Ah, mas a vida seria monótona demais!”. Calma…. sem afogadilho… Usar frases de efeito para não ter que pensar é suicídio do espírito.

Falo de ter esperanças sobre a terra arada. Sobre a conveniência de se perceber logo se a terra não é apropriada para o plantio. Afinal, por falar em definições, temos a maior, de que a morte é certa. Se é certa, aparece outra certeza: a vida é breve. Pois então: se a vida é breve, deveríamos vivê-la plena e intensamente, gozando cada momento e juntos e de mãos dadas olharmos o sol nascente. A realização do ser não é um olhar o outro e sim, ambos, convictos um do outro, olharem para a frente.
Agora, se à cada esquina da vida iniciamos as coisas sem saber exatamente de nada, sempre com essa história de possibilidade de…. Qual é? Tem doido pra tudo, tem gente que acha isso o máximo, excitante e tal. Eu acho uma bosta.

Por essas e por outras, pela expectativa renovada e a crença na possibilidade, a sociedade caminha sem rumo, só existe como grupo, não podemos nos aproximar da massa. De longe, vemos apenas a sociedade que caminha. De perto percebemos desilusões, sofrimento e um certo desespero. E um grande mal nessa história é a tentativa e erro, tentativa e erro, crença e desilusão, crença e desilusão.
Se realmente “por trás de cada relógio existe um Grande Relojoeiro”, no caso desse planetinha o tal relojoeiro é míope, estrábico, indolente e, principalmente, burro.
Enfim, são coisas ditas ao léu, mas não faz mal pensarmos nelas deitadinhos na cama quente.

About these ads

2 Responses to “Arar a Terra”


  1. 2 Niine 28/11/2009 às 9:24

    que se usa pra arar a terra??????


Deixe uma resposta

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s




Ela…

Ela...

Trocas

e-mail



Mini blog



"A descoberta do Prozac criou um universo de eunucos felizes"

"É-nos impossível saber com segurança se Deus existe ou não existe. Por isso, só nos resta apostar. Se apostarmos que Deus não existe e ele existir, adeus vida eterna, Alô, danação! Se apostarmos que Deus existe e ele não existir, não faz a menor diferença, ficamos num zero a zero metafísico" Albert Camus

Visite:
wwwgeraldoiglesias.blogspot.com

""Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos."
Nelson Rodrigues

Tempo…


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

%d blogueiros gostam disto: